Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 544 anúncios fraudulentos relacionados ao programa Desenrola Brasil veiculados em redes sociais ao longo de dois meses e meio.
A pesquisa analisou anúncios publicados entre 1º de abril e 14 de junho de 2026 nas plataformas da Meta, incluindo Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network. Segundo o estudo, as campanhas fraudulentas foram divulgadas por 48 páginas diferentes.
Do total identificado, 278 anúncios foram publicados por 34 páginas que utilizaram diretamente o nome do Desenrola Brasil. Outros 264 anúncios foram associados a 15 páginas que divulgavam um suposto programa chamado “Libera Brasil”, que não existe. Uma página utilizava os dois nomes em suas estratégias de fraude.
Golpistas usam nomes de programas e marcas conhecidas
De acordo com o levantamento, 72% dos anúncios analisados utilizavam indevidamente o nome ou a imagem do governo ou de marcas privadas, como bancos e veículos de comunicação, para tentar transmitir credibilidade aos conteúdos.
A pesquisa também apontou que 19,1% dos anúncios direcionavam os usuários para links que simulavam canais oficiais do governo, enquanto 38,1% apresentavam conteúdo produzido com o uso de inteligência artificial.
A estratégia dos criminosos consiste em atrair usuários por meio de promessas de soluções financeiras, descontos ou facilidades para quitar dívidas. Em alguns casos, os anúncios utilizam uma sensação de urgência para estimular o internauta a clicar rapidamente no link divulgado.
Golpes podem resultar no roubo de dados pessoais
Após o clique nos anúncios, os usuários podem ser direcionados para páginas fraudulentas que tentam coletar informações pessoais e sigilosas. Em outras situações, as vítimas são encaminhadas para conversas por WhatsApp, onde os criminosos dão continuidade à abordagem.
A diretora do NetLab, Marie Santini, alertou para a dificuldade que os usuários enfrentam ao tentar diferenciar anúncios legítimos de conteúdos fraudulentos publicados nas mesmas plataformas digitais.
Segundo a pesquisadora, a circulação de anúncios falsos junto a campanhas legítimas aumenta a vulnerabilidade dos usuários e dificulta a identificação de possíveis golpes.
Fraudes ganharam força após nova versão do programa
O Desenrola Brasil foi criado em 2023 com o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas dos consumidores. Segundo o levantamento do NetLab, os golpes utilizando o nome do programa começaram a circular desde o lançamento da primeira versão.
Ainda de acordo com a pesquisa, a quantidade de anúncios fraudulentos voltou a crescer em 2026, especialmente após o lançamento de uma segunda versão do programa, em maio.
Em 2023, medidas foram adotadas para retirar anúncios fraudulentos do ar e, conforme o NetLab, uma multa de R$ 9,3 milhões foi aplicada à Meta em decorrência de uma medida cautelar relacionada ao caso.
Meta afirma que combate fraudes nas plataformas
Em posicionamento divulgado à Agência Brasil, a Meta afirmou que o combate a golpes e fraudes online é uma prioridade da empresa.
A companhia informou que utiliza tecnologias de inteligência artificial, modelos de linguagem, reconhecimento facial e revisão humana para identificar e remover conteúdos que violem suas políticas.
A empresa também declarou que, em 2025, removeu mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos por violações às suas regras e desativou 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram associadas a centros de aplicação de golpes.
Usuários devem redobrar atenção
Diante do aumento de anúncios fraudulentos relacionados a programas públicos, especialistas recomendam cautela antes de clicar em links divulgados em redes sociais.
Anúncios que prometem benefícios financeiros imediatos, renegociação de dívidas com condições muito vantajosas ou exigem dados pessoais devem ser analisados com atenção. Também é importante verificar se o endereço acessado pertence realmente a um canal oficial antes de fornecer informações.
A principal recomendação é evitar o preenchimento de dados pessoais, bancários ou senhas em páginas acessadas por meio de anúncios suspeitos. Em caso de dúvida, o usuário deve procurar diretamente os canais oficiais do governo ou da instituição responsável pelo serviço, sem utilizar links recebidos por mensagens ou anúncios desconhecidos.
O levantamento do NetLab reforça a necessidade de atenção dos usuários diante da circulação de conteúdos fraudulentos nas redes sociais, especialmente aqueles que utilizam nomes de programas públicos e marcas conhecidas para tentar obter dados ou induzir vítimas a realizar ações que podem resultar em prejuízos financeiros.

